Uma janela aberta. Uma porta entreaberta.
Uma cafeteria. Uma luz amarela.
Uma música tocando. Uma pessoa sorrindo.
Um casal passando. Alguém está dormindo.
Tudo é tão dolorosamente bonito.
Até as luzes de Natal.
Silêncio noturno.
Cachorros latindo no quintal.
Mas existe um barulho na minha cabeça.
Um barulho que nunca tem fim.
Eu tento pensar em outra coisa.
Mas esse barulho sempre está aqui.
Uma brisa fria passando. É noite.
Estamos todos aqui.
O céu está estrelado.
Eu ainda não consegui dormir.
Um buraco estranho no peito.
Não consigo mais insistir.
Dez anos se passaram.
Tudo continua igual por aqui.
Mas existe um barulho na minha cabeça.
Um barulho que nunca tem fim.
Eu parei de olhar para o abismo.
Mas ele continua olhando pra mim.
Os dias correm monótonos.
Mas essa é a beleza de existir.
Viver um dia de cada vez.
Não interessa se você não entende
porquê as coisas são assim.
Respostas. Medos. Sonhos.
É tudo igual para mim.
Um buraco estranho no peito.
Eu não consigo mais insistir.
Mas existem essas perguntas na minha cabeça.
Elas sempre estão aqui.
Eu tento pensar em outra coisa.
Mas o abismo continua olhando pra mim.
Foto de ROMAN ODINTSOV