Essa Pessoa Não Existe Mais | Apenas um Desabafo sobre Crescer

Um foto reflexiva de uma mulher em um campo de flores

Tem uma música tocando, Sunday Bloody Sunday. É uma música sobre um massacre? É! Mas U2 me lembra tanto a pessoa que eu costumava ser. É claro que essa pessoa não existe mais, ela existiu há tanto tempo que eu nem sei se ela foi real ou não. Ser adolescente costumava ser tão mágico, tudo brilhava com tanta força, essa versão minha há tanto tempo esquecida era tão maluca. Ela vestia preto e curtia roupas largas, porque o corpo dela estava mudando e ela odiava o fato de que as pessoas olhariam para ela na rua. Ela tinha poucos amigos, sofria bullying, ás vezes, por ser quieta demais, mas ela não era quieta, ela só não se sentia bem-vinda em alguns grupos.

Tudo era desafiador, os hormônios, os sonhos tão grandes, a grana tão curta, o luto, mas ela achava que o futuro seria brilhante, ela precisava ser diferente, ela queria viajar pelo mundo e mesmo que a situação não fosse das mais favoráveis, ela acreditava que tudo tinha um jeito.

Mas nem tudo tem um jeito, nem tudo é resolvido da noite para o dia. Existem situações que levam meses, anos, décadas e quando percebemos que a vida é assim, tudo desmorona, ou melhor, tudo apaga, tudo vira pó, tudo fica cinza, porque aquela versão sonhadora e persistente acabou ficando soterrada embaixo de todas as versões que vieram depois.

E é tão difícil fazer as coisas brilharem novamente. É como se nada tivesse graça, como se não existisse propósito em nada. Tudo leva ao mesmo fim, O FIM, e isso fica cada vez mais claro com o passar dos anos. Talvez seja por isso que as coisas percam um pouco a cor, a verdade sobre a vida na Terra fica mais gritante conforme envelhecemos e é difícil ignorar a voz que insiste em dizer: “Pra quê?”

Mas ouvir U2 me lembra daqueles tempos coloridos onde todos os sonhos tinham a cor azul, o vento era mais fresco e as noites eram realmente para dormir e sonhar. No fim, ficamos apenas com o eco daquilo que um dia gritou e provavelmente cabe a nós mesmos dar um basta nessa apatia e tentar fazer algo que deixe essa nossa versão tão antiga, orgulhosa.

Foto de MiracleKilly

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