>> Você precisa ler: Essa Pessoa Não Existe Mais | Apenas um Desabafo sobre Crescer.
Está chovendo uma chuva torrencial, daquelas que alagam ruas e encharcam muros. Eu não consigo fechar a janela, ela está aberta, a chuva está molhando o tapete e eu não consigo me mover. Algumas pessoas passam pela janela, me chamam, eu ouço, mas não consigo escutar. Nada se compara, nada se compara a você.
Como quando todas as viagens eram mentais, me levando para lugares onde nunca estive, casas onde nunca morei e pessoas que nunca amei. Era só uma projeção daquilo que eu tanto queria, uma chuva, um sonho, um carro, um lugar para voltar. Mas as flores no meu quintal morreram e eu não sei como removê-las de lá. As pétalas estão espalhadas, não há nenhuma forma de juntá-las em uma única flor, elas se misturaram e estão se afogando na chuva que também molha minha cortina.
E o relógio está parado, mas já é meia noite e um, mais um dia, outro dia, o mesmo dia, eu não sei. O calendário não me mostra os dias com precisão, nem o relógio me direciona para o horário da refeição, eu apenas existo em um tempo entre o tempo, em uma hora entre as horas, em uma universo entre tantos outros.
Só que eu estou cansada de sentir medo, cansada de pensar demais, cansada de verificar o relógio, o calendário, o tapete molhando, a cortina balançando, enquanto as flores estão mortas no quintal.
Se eu pudesse ao menos me levantar, eu fecharia a janela, desligaria a música e iria dormir. Eu posso conhecer milhares de versões de mim, mas elas só me lembrariam como eu costumava ser, porque nada, na se compara a você.
Foto de German Suarez