É sempre difícil falar da vida como também é difícil falar da morte. Enquanto uma traz possibilidades, mesmo que escassas para alguns, a outra traz para todos apenas a finalização de uma grande peça de teatro onde todos nós fomos os autores e atores de nossa própria história. Mas não é fácil ser o autor e o ator de nossa própria história, porque nós somos pessoas reais, com sentimentos reais, tentando sobreviver mentalmente a mais um dia.
E, não, não são os seus vinte e poucos anos ou os seus trinta e poucos anos, é a vida. Não é uma fase que passa, é um sentimento permanente. Permanente até que você morra.
Estamos tão acostumados a culpar alguma coisa aleatória pelos sentimentos que nós temos com relação a vida e aos nossos sonhos, que nem percebemos que esses sentimentos fazem parte da condição humana. Se conseguimos, não estamos satisfeitos. Se não conseguimos, nos sentimos fracassados. Você consegue perceber o quanto nós somos insaciáveis? Nada parece real o bastante, nada é como aquilo que nós vimos no Instagram daquela pessoa famosa, nada nos satisfaz, porque nós vivemos esperando um encerramento, um grand finalle, um pódio, algo que nos dirá que a nossa busca acabou e que a partir de agora nós seremos felizes para sempre e satisfeitos.
Mas isso não existe em vida, a vida é contínua, como um rio em direção ao mar, sempre serpenteando até chegar lá. Mas onde é o nosso “Lá”?
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O nosso “Lá” é a morte, a morte é quando nós finalmente não sentiremos mais nada, nem alegria ou tristeza, apenas nada, apenas fim, apenas o grand finale que nós desejamos tanto!
E talvez você me diga que este não é o grand finale que você imaginou que teria, você quer apenas estar estável em todas as áreas da sua vida sem nenhuma preocupação ou medo, e eu também gostaria muito que isso acontecesse não só comigo, mas com todo mundo. Só que a vida não funciona assim, a vida exige sentimentos, bons ou ruins, misturados com uma imensa vontade de vencer ao mesmo tempo que temos vontade de jogar tudo para o alto.
É assim que a vida funciona, porque é assim que nós sabemos que estamos vivos. Existe o medo, a tristeza, o fracasso, a falta de grana, o desespero, mas também existem os momentos felizes, aqueles momentos mais simples, sabe?! Que fazem todos esses sentimentos ruins valerem a pena.
Então, você não está se sentindo perdido porque você tem vinte e poucos anos, você está se sentindo perdido, porque você é um ser humano e estar perdido, durante toda a nossa vida, faz parte do pacote.
Não deixe que esses sentimentos te atrapalhem de enxergar o lado bom das coisas. É difícil, eu seeeei, mas sentir as coisas significa que você está vivo e que ainda pode fazer muitas coisas durante a sua vida. O medo vai existir? A ansiedade? A depressão? Claro! Mas existirão pores do sol, uma xícara de café quente, um livro que te fará virar a noite lendo, uma pessoa que te amará intensamente e muitas coisas novas para você sentir, porque você está aqui, vivo, junto com mais oito bilhões de pessoas que também se sentem perdidos como você.