Em Como Arruinar um Casamento, acompanhamos Phoebe, uma mulher que viaja até um hotel de luxo em Rhode Island carregando um peso emocional insuportável e planos sombrios para o próprio futuro. No entanto, o destino a coloca no centro de um evento extravagante: o casamento de Gary e Lila.
O livro não é uma comédia romântica tradicional sobre impedir um altar, mas sim uma investigação profunda sobre a natureza das relações humanas. Através de encontros inesperados e conversas regadas a uma honestidade brutal, a narrativa explora como o luto, a solidão e as expectativas sociais podem nos levar a caminhos imprevistos. É uma história sobre as ruínas que escondemos sob as aparências e sobre a estranha e inesperada beleza de encontrar alguém que entenda a nossa dor no momento mais improvável.
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Meu trecho preferido do livro Como arruinar um casamento:
“Aí eles ficam sozinhos na barbearia. Não falam. É só o som da TV que ameaça entorpecer o momento, transformá-lo em nada.
– Você está fingindo ser alguma coisa agora? – pergunta Gary.
– Como é?
Ela fica quente. Está fingindo, sim.
Está fingindo falar de fingir ser marxista quando na verdade só quer contar a Gary que acha que talvez esteja apaixonada por ele, que nunca sentiu uma conexão assim, com ninguém, nem com o marido, porque ela nunca olhou o marido nos olhos e admitiu que queria morrer, nunca mostrou de verdade para ele seu eu completo. Esta semana inteira a conectou a Gary, e fazer tarefas com ele na rua não ajuda. Algo em vê-lo assinar documentos no consultório, vê-lo esperando no barbeiro, vê-lo só ser o Gary do dia a dia. Mas ela teve amor antes, um grande amor, e no fim não adiantou nada.
– Estou fingindo não estar confusa – revela Phoebe. – Como estou me saindo?
– Excelente atuação – diz ele. – Você nunca parece confusa.
– Bom, eu estou confusa.
– Com o que está confusa?
– Com o fato de se você está ou não fingindo ser alguma coisa agora.
Ele pausa.
– Estou fingindo que não quero falar uma coisa pra você. Estou fingindo que isso não me deixa muito nervoso.
– Posso perguntar o que é tão assustador nisso?
– Não sei como frasear isso. Não sei como dizer. Não sei o que acontece depois que eu disser.
Ela tem a sensação de que, se esta conversa continuar, algo irrevogável vai acontecer.
– Mas, infelizmente, não posso contar para mais ninguém – continua ele. – Não tenho com quem falar disso, exceto…você.
– Então fala comigo.
– É tão fácil com você – desabafa ele. – Eu não entendo.
– O que você não entende?
– Senti isso quando a gente conversou naquela primeira noite. Sinceramente, não consigo parar de pensar naquela primeira noite na jacuzzi. E, pode acreditar, eu tentei. Tenho tentado entender porque não consigo parar de pensar em você, já que vou me casar amanhã.
– Sim – diz ela. – Você vai se casar amanhã.
– Mas me sinto tão atraído a você – fala ele. – Só quero ficar perto de você, Phoebe. Porque, quando estou perto de você, me sinto bem. Me sinto como eu mesmo. Como se talvez entendesse de novo o que é a vida. Eu finalmente sei o que dizer, depois de anos sem nunca saber que raios dizer ou fazer. Entende o que eu estou falando?
Phoebe entende. Também se sente assim. Exatamente assim. E quer falar isso para ele. Seria tão bom falar isso para ele.
– É loucura? – pergunta Gary. – Você está me olhando como se fosse loucura.
– Não acho que seja loucura. Acho que é assustador.
– É assustador mesmo – diz ele.
– É muito assustador você estar me dizendo tudo isso na véspera do seu casamento – fala ela. – Não acho que devia estar fazendo isso.
– E quando mais eu devia fazer? – pergunta Gary. – Se eu não fizer agora, vou fazer quando?”
Foto de Justin Fenimore
Foto de Craig Adderley