Escrito por Fiódor Dostoiévski e publicado em 1848, Noites Brancas é uma das obras mais sentimentais e líricas da literatura russa. Diferente de seus romances mais densos e sombrios (como Crime e Castigo), este é uma novela sentimental que explora não somente a solidão, a esperança e a desilusão amorosa, mas também os sonhos perdidos através dos anos.
O narrador é um jovem solitário e introspectivo que vive mais em sua imaginação do que na realidade. Ele não tem amigos, mal conhece as pessoas e caminha pelas ruas conversando mentalmente com os prédios da cidade.
Durante um desses passeios noturnos, ele encontra Nástienka, uma jovem que chora à beira de um canal. Ele a defende de um assediador e, a partir daí, estabelece-se uma conexão imediata.
Noites Brancas permanece atual por tratar do isolamento em meio à multidão. Em uma era de conexões digitais superficiais, o anseio do Sonhador por ser “visto” e “ouvido” ressoa com qualquer leitor moderno que já tenha se sentido um estranho em sua própria cidade.
Uma leitura essencial e curta (pode ser lida em uma tarde) que serve como porta de entrada para o universo de Dostoiévski, mostrando seu lado mais poético e vulnerável antes das grandes tragédias filosóficas de sua maturidade.
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Meu trecho preferido do livro Noites Brancas:
“Quantas lembranças! Vem à memória, por exemplo, que exatamente aqui, há um ano, exatamente nesta mesma época, nesta mesma hora, por esta mesma calçada, vagavas sozinho, desanimado como agora! E lembras que lá também os sonhos eram tristes e, apesar de antes não terem sido melhores, sentes de uma maneira, como se tivesse sido mais fácil e tranquilo viver, que não havia esse pensamento tétrico, que agora está vinculado a ti, nem havia estas dores na consciência, estes remorsos sombrios, soturnos, que, nem um dia nem uma noite sequer, dão sossego. E perguntas por onde andarão teus sonhos e meneando a cabeça dizes: “Como os anos voam!”. E novamente te perguntas o que fizeste dos teus anos? Onde enterraste os teus melhores momentos? Viveste ou não? Vejas, dizes a ti mesmo, vejas como está esfriando. Anos passarão e com eles virá a sombria solidão, virá a velhice trépida acompanhada da bengala e em seguida a angústia e o desânimo. Teu mundo fantástico está empalidecendo, teus sonhos estão murchando, definhando e desprendem-se como as folhas amarelas das árvores…”
Foto de Natalia Kolotvina
Foto de Yaroslava Borz