No livro Belo mundo, onde você está, Alice conhece Felix pelo Tinder. Ela é romancista, ele trabalha num armazém nos subúrbios de uma pequena cidade costeira da Irlanda. No primeiro encontro, enquanto os dois tentam impressionar, a fagulha de algo mais aparece.
Em Dublin, Eileen está tentando superar o término de seu último relacionamento enquanto precisa lidar com a falta da melhor amiga, que se mudou para o litoral. Ela acaba voltando a flertar com Simon, um homem mais velho que acompanha sua vida há tempos.
Alice, Felix, Eileen e Simon ainda são jovens, mas sentem cada vez mais a pressão do passar dos anos. Eles se desejam, se iludem, se amam e se separam. Eles se preocupam com sexo, com amizade, com os rumos do planeta e com o próprio futuro. Seriam eles as últimas testemunhas do ocaso? Eles vão conseguir encontrar uma forma de viver mais uma vez em um belo mundo?
Com uma prosa única e brutal, Sally Rooney constrói mais um romance inigualável sobre o que significa amadurecer sem deixar a si mesmo para trás.
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Meu trecho preferido do livro Belo mundo, onde você está:
“Algumas noites atrás, peguei um táxi sozinha depois do lançamento de um livro. As ruas estavam sossegadas e escuras, e o ar estranhamente quente e parado, e no cais os prédios comerciais estavam todos acesos, e vazios, e abaixo de tudo, abaixo da superfície de tudo, comecei a sentir aquilo de novo – a proximidade, a possibilidade da beleza, como uma luz que irradiasse suavemente detrás de um mundo visível, iluminando em volta. Assim que me dei conta do que estava sentindo, tentei me mover nessa direção nos meus pensamentos, estender o braço e segurar, mas a sensação apenas esfriou ou se afastou de mim, ou fugiu e foi parar mais adiante. As luzes nos escritórios vazios tinham me lembrado de alguma coisa, e eu vinha pensando em você, tentando imaginar a sua casa, acho, e lembrei que recebi um e-mail seu, e, ao mesmo tempo pensava no Simon, no mistério que ele é, e por alguma razão, olhando pela janela do táxi, comecei a pensar na presença física dele na cidade, que em algum canto dentro da estrutura dela, de pé ou sentado, de braços abertos de uma forma ou de outra, vestido ou pelado, ele estava presente, e Dublin era como um calendário do Advento, escondendo-o atrás de suas milhões de janelas, e a qualidade do ar estava infundida, a temperatura estava infundida da presença dele, e do seu e-mail, e desta mensagem que escrevia para você na minha cabeça. O mundo parecia capaz de abarcar essas coisas, e meus olhos eram capazes, meu cérebro era capaz de recebê-las e compreendê-las. Eu estava cansada, era tarde, quase dormia no banco de trás do táxi quando me lembrei de um jeito esquisito que, aonde quer que eu vá, você está comigo, assim como ele, e, enquanto vocês dois viverem, para mim, o mundo será belo. Eu não fazia ideia de que você leu a Bíblia no hospital. O que te instigou essa vontade? E você achou útil? Achei muito interessante o que você falou sobre o perdão dos pecados. Outro dia perguntei ao Simon se ele reza a Deus, e ele me disse que sim – para agradecer. E eu acho que, se acreditasse em Deus, não gostaria de me prostrar diante dele e pedir perdão. Gostaria apenas de agradecer a ele todos os dias, por tudo.”
Foto de Taryn Elliott
Foto de Victor Lifchitz