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Lost in Translation – A Solidão acompanhada

Vivemos perdidos dentro de nós mesmos, na companhia solitária do que é ser um ser vivente, coração batendo, cérebro trabalhando, mas afinal de contas, por que nos sentimos assim, desajustados? Se nascemos em uma sociedade civilizada e cheia de ouvidos para nos ouvir, por que de vez em quando nos sentimos estranhos com relação ao outro?

Bob Harris é um ator de meia idade, cansado da vida que supostamente vive, sua carreira está em declínio, seu casamento já não é mais o mesmo depois que os filhos vieram. O que era uma relação compartilhada se tornou uma caixa de memórias, muito chão já foi percorrido, mas hoje só existem lembranças de um passado bem vivido, mas que por teimosia do tempo ou quem sabe da vida, decidiu passar.

Charlotte é jovem, bonita e casada com um fotografo ocupado demais para dar a atenção que ela precisa. Ela questiona se a vida dentro de um casamento é assim tão solitária ou se ela está vivendo o casamento errado. Ela já tentou ser fotografa, mas não deu certo, escritora, mas não gostava do que escrevia. Ela está perdida profissionalmente, emocionalmente e sentimentalmente. Ela precisa de mais, mais vida, mais amor, mais mãos dadas. Mais conselhos para uma menina que se sente derrotada. Será que a vida é vazia assim mesmo?

Os dois se encontram na cidade de Tóquio, ambos deprimidos em meio as luzes da cidade, ambos deprimidos com a vida que estão levando e ambos solitários demais para recusar qualquer contato. Nasce a partir daí uma amizade icônica, cheia de segredos compartilhados e jantares engraçados. A menina perdida encontra no homem cansado as respostas que ela tanto precisava ouvir. Que a vida é assim mesmo, nos assusta com todas as suas reviravoltas.

Sensível e humano, Lost in Translation nos desperta para o quanto estamos isolados do mundo ao nosso redor e de nós mesmos. Precisamos encarar o espelho e mudar o que nos incomoda. O mundo está girando, a vida está passando e nós estamos inertes diante do que ainda está por vir. Por mais que a vida seja assim, incompreensível, temos poder para criar uma nova história quando não sabemos mais lidar com a nossa. E através das relações reais, podemos mostrar ao outro que ele não está sozinho, estamos todos tentando encontrar uma saída, uma mão que nos console ou um ouvido que nos compreenda.

(…)

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