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A felicidade não se compra

Ter uma vida plena e feliz não é o sonho de poucos, conseguir chegar no topo do mundo, mudar a história e até mesmo fazer uma história cheia de sucesso é o grande sonho de todas as pessoas, principalmente das pessoas ousadas. Mas, e se você não conseguir? E se você presenciar o sucesso de todos os seus amigos e continuar destinado a uma vida pacata, cheia de problemas, em uma cidade odiada por você com todas as suas forças? Você conseguiria enxergar o lado bom? Ou você cometeria uma loucura?

Esse é o caso de (A felicidade não se compra), um filme dirigido por Frank Capra, há quase setenta e três anos atrás, um clássico, considerado por muitos críticos um dos melhores filmes de natal de todos os tempos. A história se passa em uma cidade chamada Bedford Falls, durante o natal, onde George Bailey (James Stewart), tenta se suicidar. George sempre foi um homem bom, passando toda a sua vida ajudando as pessoas ao seu redor, mas George era um sonhador, queria ganhar o mundo, sair daquela cidade e se tornar o autor da própria história.

Mas quando ele se vê encurralado pelas dívidas e se encontra nas mãos de Henry Potter (Lionel Barrymorre), o homem mais poderoso da cidade, George começa a questionar a sua existência no mundo, pensando que se ele não existisse, as pessoas seriam mais felizes. Enquanto isso, Clarence (Henry Travers), um anjo que espera há 220 anos para ganhar asas é enviado à terra com a missão de mostrar a George como seria o mundo se ele não tivesse nascido.

O filme destaca o quanto cada indivíduo é importante para a história da humanidade, destaca o quão grande cada ser humano é , sendo aquilo que ele nasceu para ser, e ainda mostra que felicidade não é ter tudo aquilo que almejamos ou viajar o mundo todo em um avião de primeira classe. Frank Capra conseguiu capturar a essência da vida, conseguiu enxergar aquilo que muitas vezes não enxergamos em nós, um propósito. Um propósito maior que os nossos planos tolos e fúteis, um propósito maior que a nossa bondade. Ele extraiu da vida, a simplicidade e o desafio de aceitar aquilo que não se pode mudar.

Por outro lado, esse clássico maravilhoso mostra o quanto nossas ações tem poder sobre nossas vidas. Se a plantação é bem feita, os frutos são doces na colheita, uma ideia boba, mas verdadeira para descrever em poucas palavras, um dos muitos sentido de A felicidade não se compra. O filme ainda mostra a importância da amizade, mostra o quanto os amigos são valiosos. Se pelas orações dos amigos de George, um anjo foi enviado a terra para o salvar, imagina a quantidade de poder temos quando nos unimos em prol de alguém.

A felicidade não se compra é um filme simples, sem os grandes e mirabolantes efeitos que vemos no cinema hoje em dia, mas o que falta em tecnologia, transborda em lição de vida. O que falta em fotografia, transborda em história. E o que falta em rostinho bonito, transborda em conforto. Aquele conforto de saber que nascemos para um propósito, um conforto que faz com que sintamos parte de um plano, um plano maior do que tudo aquilo que queremos e consideramos importantes nesse mundo.

A atualidade do filme, mesmo depois de quase setenta e três anos, é impressionante. Eles abordam o suicídio com uma facilidade fantástica, sem aquela depressão fatal ou aqueles sinais e sintomas que uma pessoa deprimida geralmente mostra. O enredo nos faz perceber que uma pessoa feliz e querida por todos pode sim não se sentir tão bem diante de tanta adoração, mostra que a pressão dos sonhos não realizados podem afetar uma pessoa a qualquer momento de sua vida.

Hoje em dia as pessoas focam muito nos sintomas que uma pessoa deprimida apresenta e esquecem que as maiores vítimas de um suicídio são aquelas pessoas felizes, pra cima e que vivem com um sorriso largo no rosto. São os sonhadores, os poetas e os que mais amam a vida que podem ser afetados pelo sentimento de impotência quando um de seus muitos sonhos não se realizam.

A felicidade não se compra poderia ser definido em uma única palavra, poderoso. Sim, poderoso. Poderoso porque mostra as debilidades ocultas de uma pessoa aparentemente feliz, poderoso porque mostra até que ponto uma pessoa chega quando vê seu mundo desmoronar e poderoso porque nos arranca lágrimas quando percebemos que o filme não mostra só a história de George, mas mostra um pedaço da história de cada pessoa no mundo que um dia se cansou de esperar e cometeu um suicídio, deixando para trás os sonhos que eram um combustível para viver.

Se o objetivo do filme era nos ensinar a viver um dia de cada vez, eu gostaria de deixar aqui os meus mais sinceros aplausos, porque sim, ele conseguiu. De uma forma comovente e brilhante o enredo nos ensina a dar valor nas pequenas coisas, porque a verdade é que as pequenas coisas são grandes quando comparadas àquelas coisas grandes, mas com um baixo valor emocional depositado nelas.

George nos ensina que uma pessoa boa, nem sempre receberá da vida tudo aquilo que ela merece, e nos ajuda a entender que se colocarmos nosso foco nas coisas mais simples, aquelas coisinhas singelas que o dinheiro não compra, seremos muito mais felizes. Simples e emocionante, (A felicidade não se compra) atravessa gerações, deixando em cada uma delas um dos mais belos e motivadores conselhos que alguém poderia ganhar: Vale a pena viver mais um dia.

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