Eu Estava Justamente Pensando em Você
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Eu estava justamente pensando em você

Instigante. O tipo de filme que te acorda com um tapa e te mostra que nada nesse mundo é perfeito. Comet (Eu Estava Justamente Pensando em Você) é um filme estranho, obscuro e mágico. Nos mostra as várias fases de um relacionamento, o encontro, o amor, a felicidade, a traição, a dor e o reencontro. Dirigido por Sam Esmail e lançado dia 22 de outubro de 2015, Comet traz a história de Dell (Justin Long) e Kimberly (Emmy Rossum) dois estranhos que por um acaso, se conhecem em uma fila para assistir a uma chuva de meteoros.

Dell é o tipo de cara que não acredita no amor, pessimista, falante e chato, enquanto Kim não liga para sua opinião, pois está acompanhada por outro cara. Mas como a vida tem suas surpresas, Dell e Kim acabam se apaixonando e construindo algo especial juntos. Mas o ponto chave do filme é a obscuridade do amor, enquanto todos os diretores de filmes românticos estão preocupados em mostrar o quanto o amor é lindo, Sam Esmail se preocupou em colocar no filme o quanto o amor é frágil e torto, e o quanto a pressão de um relacionamento pode cansar duas pessoas.

A fotografia do filme é encantadora, é como se nós estivéssemos dentro de um sonho, onde cada cena é um flashback cheio de saudades de um tempo muito bom que ficou para trás. Comet é um filme dividido pelo tempo, o enredo vai e volta em vários pontos do relacionamento de Dell e Kim, durante seis anos, nos dando uma maior compreensão dos atos de cada um.

Quando eu disse que o filme nos acorda com um tapa, eu realmente estava falando a verdade. Eu confesso que sou uma romântica desenfreada, que acredita que tudo sempre dará certo, e que nada nesse mundo conseguirá abalar um amor verdadeiro. Mas depois de assistir Comet coloquei os meus pés no chão e percebi que a vida não é um conto de fadas onde o príncipe fará a princesa feliz para sempre, eu consegui, finalmente, entender que a vida a dois não é um mar de rosas e que a escuridão pode ser grande, e durante muito tempo, tudo que o casal terá.

Eu aprendi que cada ato meu trará uma consequência imprevisível e que nenhuma palavra que sair da minha boca conseguirá voltar a tempo de o outro não ouvir. A trama nos ensina que as palavras podem ser uteis, mas que nenhuma delas será capaz de amenizar a dor de algo que foi dito sem pensar. Uma história complicada, cheia de altos e baixos, onde o amor existe, mas que por alguma razão, não consegue ser aquilo que é pra ser.

E nós não somos assim, complicados?! Somos uma mistura de querer e não querer mais, somos aquilo que muitas vezes julgamos nos outros, somos indecisos, queremos o tudo que o outro pode oferecer enquanto o nosso tudo fica guardado, esperando para um dia ser totalmente de alguém. Errantes incorrigíveis, erramos justamente no lugar que não podemos errar, no amor, na entrega.

Um outro lado interessante do filme é o medo de estar para sempre com uma pessoa, mesmo amando-a e querendo-a no mesmo lugar que você, “para sempre”. Complicado não é? O querer que se torna um não querer, por medo de, talvez, perder. Comet te despertará para a realidade, te fará enxergar alguns pontos do amor que nenhum filme mostra, a escuridão, a dúvida e a vontade de fazer dar certo, mesmo que todas as circunstâncias digam não.

Complicado e sensivelmente estranho, com uma mistura de amor e medo, Comet mostra que cada ser humano é único e que cada um carrega dentro de si um universo paralelo, onde cada memória foi depositada para ficar ali para sempre, para ser revivida quando e onde você quiser. E mesmo que você não consiga fazer tudo dar certo, Comet te mostrará que o amor nem sempre será tudo aquilo que você esperou, mas que cada lágrima de saudade derramada, será uma pequena amostra do quanto cada momento valeu à pena.

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