Ninguém disse que seria fácil
Crônicas

Ninguém disse que seria fácil

Mas, também não disseram que seria tão difícil, não é mesmo? Ninguém. Em toda a minha existência, ninguém ao menos tentou me dizer que seria tão difícil. A vida. Tão difícil. E eu não estou falando de coisas externas, eu não estou falando sobre vencer ou não algum obstáculo, eu não estou falando sobre nada que você possa tocar, eu estou falando sobre a luta interna que nós enfrentamos todos os dias. A busca pela paz interior. Será que é possível alcançar essa tão almejada paz depois de se tornar um adulto?

Às vezes eu fecho os meus olhos e tento fingir que o tempo não passou. Que eu ainda estou sentada naquela velha carteira no primeiro dia de aula da quinta série, esperando ansiosamente pelo o que virá. Escola nova. Colegas antigos. Amores que serão descobertos. Uma vida nova que começará. Mas de repente eu me dou conta de que dezessete anos se passaram e eu sinto que não aproveitei aquela fase como eu gostaria de ter aproveitado. A verdade é que eu vivi intensamente cada segundo, mas quando eu olho para trás eu sinto que eu deveria ter aproveitado mais.

Oh, me leve de volta ao começo. De todas as frases que formam a música The Scientist da banda Coldplay, essa é a frase que mais me toca, porque as vezes eu sinto vontade de viver tudo de novo. Todas as coisas. Todas as pessoas. Todos os lugares. Para apreciar com maior atenção cada pequeno detalhe dessa vida que eu tanto amo.

Depois que nos tornamos adultos as coisas mudam tão rapidamente, em um dia você tem todas as certezas do universo, no outro, está morrendo de sono porque não conseguiu dormir a noite toda, com medo, de todas as decisões que você precisa tomar. É tudo tão imenso. A vida é tão imensa. As decisões. Ahhh as decisões. Tão enormes e pesadas. Que chegam a dar dor nas costas. E dor no peito. E falta de ar. Espera! Essa não é uma crise de ansiedade? Mais uma das muitas facetas da vida depois dos vinte e cinco anos, ou depois dos quinze, tanto faz, está todo mundo tão cansado.

Oh, me leve de volta ao começo, para um lugar onde eu consiga descansar, para um lugar sem arrependimentos, para um lugar onde eu consiga ser quem um dia eu fui. Porque eu mudei, me adaptei e me transformei em um adulto que tem medo não só do escuro, mas da vida, do tempo, da morte e do mundo. Medo. O que virá depois? Eu não sei e hoje em dia, prefiro não saber, de complicado já basta o que conhecemos. Talvez sejamos parte do universo, pequenos átomos que se juntam por um breve período e depois se desfazem e voltam para o lugar de onde vieram. Esperança, nós voltaremos, para casa ou para o nada, de alguma forma, nós seremos levados de volta para o começo, para o começo de tudo, para um lugar que nós, finalmente, conseguiremos chamar de lar.

(…)

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