pandemia e ansiedade
Querido Diário

Pandemia e Ansiedade

Já aconteceu mais de uma vez.
Estou sentada na sala assistindo Friends e de repente minha mente é levada para os anos noventa. Para uma época sem pandemia. Uma época que tinha suas dificuldades, mas que não te condenava a viver com medo de passar perto de uma pessoa.

Já aconteceu mais de uma vez.
Estou deitada no meu quarto ouvindo Arctic Monkeys e de repente sou levada para o início da década que acabou de passar e me lembro dos pequenos problemas que me assombravam com saudades de pelo menos poder abraçar alguém.

Já aconteceu mais de uma vez.
Estou trabalhando em casa e de repente meu coração acelera e sou tomada por uma vontade absurda de chorar. Minhas mãos tremem. Minha cabeça gira. Meus pulmões buscam por mais um pouco de ar. Mais uma crise de ansiedade. Uma ansiedade que já existe desde de 2013, mas que se intensificou com a chegada da pandemia.

Já aconteceu mais de uma vez.
Estou parada em frente ao espelho, com uma das mãos no rosto, tentando reconhecer a imagem assustada que me olha de volta. Medo. Incerteza. Temor. Sentimentos que se transformaram em olheiras profundas e pequenas linhas de expressão.

Já aconteceu mais de uma vez.
Estou vendo as notícias na televisão e meu coração se parte em dois por todas as pessoas que perderam suas vidas. Pessoas. Famílias. Conexões. Uma perda irreparável. Será que um dia tudo voltará ao normal ou viveremos para sempre esperando notícias ruins chegarem?

Já aconteceu mais de uma vez.
Estou em casa conversando com a minha família, de repente ficamos sabendo que um amigo testou positivo, que um conhecido está internado e que um vizinho faleceu devido a complicações do Covid-19. Os tremores voltam com tudo, porque estou vivendo com medo há tantos meses, que não consigo mais lidar com nenhum tipo de informação ruim. (Quantas vidas perdidas, quantas histórias inacabadas, quantos laços interrompidos porque a maioria das pessoas não se importam o suficiente para seguir todas as recomendações.)

Já aconteceu mais de uma vez.
E continuará acontecendo.
Dores no peito. Medo. Falta de ar.
Desespero por não conseguir controlar o que está acontecendo e tristeza por tudo o que ainda pode acontecer comigo e com as pessoas que eu amo se esse vírus terrível não for combatido.

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