500 dias com ela Summer
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Sobre Summer

Summer é ventania, Tom, calmaria. Summer não se importa, Tom, vê cada detalhe como algo precioso. Summer é inatingível, Tom, extremamente alcançável. Dois completos estranhos, lutando para que todo aquele romance de filme dure, ou, melhor, um cara comum, apaixonado, lutando para que ela, a moça inalcançável, o ame da mesma forma que ele, desesperadamente, a ama.

Summer viu os pais se divorciarem muito cedo, e nessa época ela só conseguia pensar nisso e em como ela podia cortar o cabelo sem sentir dor. A separação tão precoce dos pais provavelmente a afetou profundamente, não quando ela era só uma menina e só pensava em como podia cortar o cabelo sem sentir dor, mas quando cresceu e descobriu que cortar laços não era como cortar os cabelos, e que esses laços cortados podiam doer mais do que qualquer dor física, porque sim, um laço rompido pode causar dores físicas, como quando você chora até dormir e acorda com dor de cabeça.

Summer tem grandes olhos azuis, lindos, mas tão arregalados, como se estivesse preparada para qualquer ação brutal, e existe medo naqueles olhos, um medo incomum, não como quando ficamos com medo de uma barata, mas aquele medo que sentimos quando alguém nos pega de surpresa no meio da noite, nos fazendo pensar que um assalto é o que virá em seguida.

Summer é diferente, ela tem aquele cabelo anos 60, usa aquelas roupas maiores do que ela e ouve The Smiths, é como se ela gritasse desesperadamente para alguém a aceitar daquela forma, é como se The Smiths, com toda aquela melancolia, descrevesse em cada música, sua vida, tão assustadoramente solitária. E o mais interessante nisso tudo é que ela tenta convencer qualquer pessoa na face da terra que viver sozinho, é viver bem, e que não ter alguém para dividir a vida significa liberdade.

Pobre Summer, mal sabe ela que liberdade é ter um colo pra chorar, e que segurança, nos só encontramos quando temos um lar. Mas ela não sabe disso porque tem suas dores de menina, e prefere não saltar para o desconhecido porque ela conhece muito bem o que, talvez, virá depois, e já que existe essa probabilidade dela acertar, prefere cultivar a si mesma e seu mundo.

Tom é aberto, romântico, livre, quer ser o lar que Summer não teve quando era criança, mas ela recua, recusa, evita um possível desastre, uma possível dor, um possível laço rompido ou um possível coração partido, porque provavelmente viu a mãe chorar várias noites seguidas por causa de um casamento destruído. Mas não significa que Summer não ama Tom, e aquele casamento com aquele cara desconhecido não significa felicidade, porque ela amava Tom, só tinha medo de colocar alguém tão importante em sua vida para mais tarde, perder. E por quê não colocar um outro cara, insignificante, que não causaria tanta dor?

O filme é muito complexo, a vida é muito complexa, nossas maiores dores, são causadas por quem mais amamos e, muitas vezes, não se envolver, significa, cuidar. Eu ficaria feliz se Summer tivesse ficado com Tom, e não ficaria tão brava com ela se ela tivesse, pelo menos, pensado um pouco mais nos sentimentos dele, mas quem somos nós? Somos ‘Summers’ e ‘Toms’, tentando sobreviver a todo esse caos, somos seres humanos tentando encontrar alguém que nos aceite, assim, do jeitinho que somos, essa bagunça toda, causada pelo tempo…ou pela vida.

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