Saturn Sleeping At Last
Músicas

Saturn

Coragem é a capacidade de agir apesar do medo, do temor e da intimidação. Coragem. Vida. Medo. Incertezas. Às vezes me pego desejando ter mais coragem e mais determinação diante das adversidades da vida. É tudo tão confuso, viver já não é mais como antigamente, ou talvez seja. Quando pensamos nas gerações anteriores temos mania de enxerga-los como pessoas que viveram em paz apesar das dificuldades, talvez não saibamos, mas é muito provável que esse medo que nos acompanha também tenha acompanhado cada ser vivo que já passou por aqui.

Viver é um mistério tão grande que às vezes me sinto cansada de tanto pensar a respeito. De onde viemos? Para onde vamos? Existe vida após a morte? Ou apenas nos desfazemos para voltar ao pó e fazer parte do universo novamente? São tantas perguntas obviamente sem respostas que às vezes me pego pensando se não fazemos parte de algo maior. Apesar dos pesares, eu realmente tento acreditar que existe um propósito maior e que um dia esse mistério todo será solucionado.

Ontem, eu escutei pela primeira vez a música “Saturn” da banda Sleeping At Last, e eu digo que escutei pela primeira vez porque eu já tinha ouvido essa música, mas como todos nós sabemos, escutar é diferente de ouvir. Ouvir refere-se aos sentidos da audição, a pessoa ouve, mas pode não interpretar a comunicação. Escutar é diferente, escutar requer mais que ouvir, a pessoa tem que prestar atenção, entender do que se trata, e foi isso que aconteceu comigo ontem quando eu realmente escutei e senti essa música pela primeira vez.

“Você me ensinou a coragem das estrelas antes de partir. Como a luz continua eternamente, mesmo após a morte. Com falta de ar, você explicou o infinito. Quão raro e belo é apenas o fato de existirmos.

Eu não pude deixar de pedir para você dizer tudo de novo. Tentei escrever, mas eu nunca consegui achar uma caneta. Eu daria qualquer coisa para ouvir você dizer mais uma vez que o universo foi feito só para ser visto pelos meus olhos. Com falta de ar eu vou explicar o infinito, quão raro e bonito é realmente existirmos.”

Deveríamos nos contentar com o bonito fato de existirmos, não é mesmo? Deveríamos apreciar com mais exatidão o quanto tudo ao nosso redor faz parte de um grande mistério, também. Mas vivemos tão focados em nós mesmos que temos a audácia de pensar que tudo é sobre nós. Mas não é tudo sobre nós. É tudo sobre tudo. É sobre as estações do ano e como elas começam e terminam. É sobre como o vento faz balançar o seu cabelo e como os ursos passam até sete meses dormindo. É sobre o céu estrelado de inverno e sobre como na primavera tudo fica colorido. É sobre como tudo se encaixa perfeitamente nesse mundo onde existe vida há tanto tempo, mas ainda não é completamente compreendido.

Que você sinta a mesma paz que eu senti quando escutei essa música, de madrugada, no escuro reconfortante do meu quarto. Que ela seja o alento que o seu coração precisa para lidar com todas as dúvidas que rondam a sua mente. Estamos todos no mesmo, misterioso, barco, fazemos parte do mesmo universo e admiramos as mesmas estrelas quando procuramos o céu noturno em busca de alívio. Talvez exista um propósito maior por trás desta cortina escura, mas também existe a possibilidade de tudo não passar de uma explosão química. Possibilidades. Vivemos esperando pelo dia em que conheceremos tudo, mas não paramos para pensar que talvez não exista nada para conhecer. Vamos viver, independente do que não sabemos. Porque de qualquer forma, o amanhã não pertence a nós, mesmo. Coragem!

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